Tuesday, November 17, 2015

Vamos falar sobre consumismo?


Nossa você deve já estar pensando: "que coisa chata, ela ficou mil anos sem escrever nada e vai voltar falando justamente de um assunto tão chato como esse?!?". Mas não tem jeito! Antes de eu contar toda a jornada de volta para NY (ainda nem acredito!!!) eu preciso dividir um pouco o que tenho pensado sobre esse assunto! Justamente porque como falei no post anterior (assistiram o vídeo sobre Lowsumerism???) essa discussão tem tudo a ver com a minha mudança também! 

Quando eu casei ganhei muitos presentes de casamento, muitos muitos mesmo... Acho que foi uma festa meio grande, eu sou a primeira filha, primeira neta e etc... Mas eu era muito jovem (ahhh os vinte e poucos anos...) e não tinha pensado muito sobre o assunto. Sempre ouvi de todas as mulheres adultas que eu tinha que ter tudo aquilo: baixelas de prata, conjuntos de copos de cristal, faqueiros de inox e prata, jogos enormes de louça... E eu não pensei e fiquei com tudo aquilo! Logo depois do casamento, acabei voltando para o Brasil e montei a minha casinha... Prioridade total aos armários para guardar tudo! Mas os anos passaram e cá estou eu de novo me preparando para voltar para NY! E não é só o fato de que vou ter que empacotar tudo, como também o fato de que vou mudar para um apartamento muito menor! Sem contar que lá além de não receber tanto em casa, eu não terei a ajuda de ninguém para manter todas aquelas taças de cristal brilhando! 

De repente me peguei extremamente preocupada e até estressada com o que eu iria fazer com aquele mundaréu de coisas. Na casinha não poderia ficar, pois vou alugar, e em NY muito menos porque não cabe! Aí você me pergunta: "mas vc já usou alguma vez toda essa louça??". Pior que já! Aqui em São Paulo acabo recebendo mais em casa, eu e o meu marido adoramos cozinhar e fazer jantares em casa. Porém o cenário mudou radicalmente, e em NY não vou precisar de quase nada disso... Não que eu não receba lá, mas no geral acho que são no máximo 6 pessoas!!!


Enfim, esse é só o pano de fundo sobre todo esse papo de consumismo e sobre a minha relação com o meu cartão de crédito. 

Um fato que me chamou muito a atenção no vídeo da Box1824 é que deixamos de consumir por necessidade para consumir por prazer. Afinal tem coisa mais gostosa que comprar uma roupa nova e passar o cartão de crédito?? No entanto tem que ter um limite entre querer e realmente precisar. Além disso tem outro fato mais impressionante: o fato de acharmos que tudo é descartável.

Agora que vem o meu grande ponto sobre o assunto, eu não acho que vamos parar de consumir. Não vou deixar de gostar de moda e decoração pois não posso mais consumir. Acho que tudo o que é radical não funciona. É como querer fazer o regime do abacaxi, ninguém aguenta por muito tempo! Hahahaha... Brincadeiras à parte, acho que na realidade o grande ponto é repensar a forma como consumimos. 

Vamos falar do meu closet... Eu vou mudar para um apartamento que tem um closet muito menor. Acho que de tão pequeno nem posso chamar de closet. 
Vou precisar diminuir radicalmente a quantidade de roupas! Não vai ter jeito! Agora pergunta se eu uso tudo o que eu tenho?? Lógico que não! Então não só preciso dar tudo o que não uso, mas também mudar a minha relação com a moda e a forma como consumo ela. 

Já tem um tempo que tento não consumir modismos passageiros, mas para conseguir é preciso ser uma pessoa muito regrada. Em tempos de uma moda que muda tão rápido, de blogs espetaculares que mostram os itens mais brilhantes e coloridos e desejáveis, de revistas e mais revistas de estilo e moda dos quatro cantos do mundo, e de fast fashion com preços fantásticos, é muito difícil não sucumbir! Mas eu já percebi que para manter uma relação saudável com o meu cartão de crédito (e com o meu marido, hahaha) eu não posso simplesmente comprar tudo o que quero e que está na moda. Então tenho tentado consumir com mais consciência, no geral deixo passar um bom tempo antes de comprar algo, fico namorando o item por semanas ou meses. Às vezes gosto demais de um sapato ou uma blusa, quase compro (sou uma compradora profissional pela internet, é muito pratico), mas paro, me seguro e espero um tempo. Se eu acabo esquecendo ou as lombrigas consumistas param de reclamar, eu não compro. Tiro da cabeça e fico feliz que não comprei. Porém se vejo que mesmo depois de um tempão ainda estou com aquilo na cabeça, aí sim vou lá em compro. Um exemplo é a sapatilha de gatinho da Charlotte Olympia: caí de amores por ela desde que lançou... Acho que a primeira vez que vi foi em 2011 nos pés da Alexa Chung... E depois de 4 anos, de um amor que não parou, aí decidi comprar. E não pela moda, mas simplesmente por que eu gosto muito dele e não tinha nenhum loafer no armário para contar história. Fiquei hiper feliz e sei que vou usar muito! O importante foi ter certeza que não comprei por impulso. (Ps: não estou dizendo que nunca compro por impulso! Mas é exatamente isso que estou tentando melhorar!!!).


Outra coisa que eu tento é comprar peças mais clássicas, de cores que tenho mais facilidade de usar, e de qualidade excelente. Vai custar mais caro, mas vou usar por muitos anos. Muitas das peças boas que comprei em NY há 7 anos, são as mesmas que vou usar nesse inverno lá. E provavelmente vou usar por vários outros anos, pois elas estão perfeitas (ou quase perfeitas)! Aí que entra a questão da manutenção: para que descartar se você pode consertar? Eu investi em um "papa-bolinhas" (foi baratinho na Multicoisas) e cuido com muito cuidado dos meus cashmeres, assim eles estão sempre com cara de novos! Eu também sempre levo meus sapatos novos para colocar protetor de solas, assim eles duram muito mais tempo! Esse trabalho de manutenção é essencial para as peças continuarem novas e eu não preciso descartar elas com tanta frequência. Não estou dizendo que isso tudo resolve o meu problema de consumismo, mas sem dúvida alguma é um caminho!

Agora vamos entrar no banheiro? Algumas coisas eu já aprendi: tento sempre descolar uma amostra grátis antes de comprar o produto grande, porque detesto os armário do banheiro cheio de itens que não servem para minha pele ou cabelo, então com a amostra grátis consigo ter certeza se o produto realmente vale a pena! Mas ainda assim, vira e mexe, na ânsia de comprar tudo o que vejo na farmácia, acabo com um monte de produtos que não funcionam para mim! É de enlouquecer! O fato é que não tenho que testar tudo de novidade que vejo pela frente! E aí é que chegamos para o pensamento chave de tudo isso e antes de comprar tenho que me perguntar "eu realmente preciso disso?". Tão simples e tão brilhante! 

Não tem desculpa, antes de virar um ser avançado e que faz todas aquelas perguntas que o vídeo da Box1824 mostrou, se eu já fizer essa pergunta sobre a necessidade e for realmente sincera, acho que deixo de comprar 90% do que coloco no meu carrinho! E a segunda regra vem agora, só posso repor ou comprar outro shampoo quando realmente o que estou usando acabar! Assim vou ter o mesmo prazer que a Eva Chen teve:


E voltando agora ao caso na minha mudança e os presentes de casamento... Fiz uma seleção pequena, editei o meu próprio armário. Sem ler o livro hit da japonesa Marie Kondo, já estou aplicando a fórmula é me perguntando se realmente aquele item me traz "joy"!!! Todo o resto vou empacotar e guardar... Ainda não estou pronta para me desfazer de tudo, porque são coisas que gosto muito e se voltar a morar no Brasil vou querer ter. Mas se preparem... Vem aí uma mega sessão de desapego pois tirando as coisas de valor e de estimação, muita coisa vou doar ou vender! 

3 comments:

Isabela said...

Oi Camila,

O assunto é "chato" mas fundamental! Algo que venho me policiando há algum pouco tempo também pois acho que nesse ritmo de consumo o nosso planeta não dá conta. E também adoro moda, decoração, cremes (obs: sou dermato). É sério, isso sim para mim é uma mensagem política interessante e não ficar discutindo os governantes no facebook, o habitual dos dias de hoje. Se cada um de nós conseguir, pelo menos em uma proporção significativa, fazer compras mais conscientes, já reduziremos de alguma forma o dano que estamos causando ao meio ambiente. Parabéns pela iniciativa de falar do tema! Super feliz com o retorno das atividades do blog!

Anonymous said...

Faz uma loja no Enjoei e anuncia aqui! Tenho certeza que não vai faltar clientes!

Anonymous said...

Camila, gosto muito de ler o que escreve, sou leitora do blog há vários anos. Volto sempre aqui à espera de um novo post. Passei por um processo semelhante no ano passado quando mudei de Portugal para a Suíça. E a principal razão da minha 'epifania' também foram os presentes de casamento. Também estou no caminho do consumo consciente. Agora tenho mais prazer quando finalizo uma compra, porque foi um processo mais pensado. Imagino que a viver em NY seja mais difícil resistir a tentações. Bom regresso à Big Apple! Noemia